Tribuna do Norte: Um pavilhão de Criatividade Manual

Obras de arte para decorar, artesanato para uso caseiro, criatividade para vestir, ofícios estrangeiros para presentear, e um pouco de tudo isso e algo mais para conferir enquanto se passeia pela Feira Internacional de Artesanato – Fiart -, na Via Costeira. A 24ª edição do evento convida os frequentadores a conhecer o novo pavilhão do Centro de Convenções, para onde a feira foi transferida este ano. Além do novo espaço dar uma cara diferente ao evento, em 2019  o visitante poderá conferir novidades como o espaço das cervejas artesanais, o salão de exposição dos mestres, e artistas renomados estreando no local.

A Fiart 2019 está montada no interior do novo pavilhão do Centro de Convenções, não há espaço externo. Os comerciantes e artistas estão bem distribuídos entre os muitos corredores que o visitante pode percorrer e achar algo que o interesse. Para este ano o evento trouxe artesãos das cinco regiões do Brasil e de países como Senegal, Bolívia, Colômbia, Peru, e República Tcheca. Na parte final do pavilhão há uma bela visão panorâmica da Via Costeira e de Ponta Negra.

O bonequeiro pernambucano Almir dos Santos, de Olinda, está expondo seus mamulengos pela primeira vez na Fiart. Há 80 anos gerações de sua família produzem os coloridos bonecos de madeira e pano, com todos os traços característicos dessa arte. “Tudo é feito a mão, do corte da madeira mulungu à confecção das roupas”, diz. Os bonecos saem nos modelos fio dançante e luvas de manipulação. “A maioria das pessoas compra pra decorar a casa, mas também há quem compre pra se apresentar em escolas e shows”, diz o mestre atual da Mamulengos em Ação.

A beleza das peças da catarinense Denusa Demarchi chama logo a atenção de quem passa, e impressiona ainda mais quando se sabe o material delas: couro de peixe. Ela trabalha com isso desde 2006. Faz bolsas femininas, sapatos, sandálias, carteiras masculinas e biojóias com o couro da tilápia, usando o couro bovino só para finalizar. O trabalho, além de bonito e refinado, também é ecológico, pois Denusa utiliza os descartes de abatedouros. “Há outra vantagem: o couro da tilápia é mais fino e resistente que o do boi, além de cada peça ter um visual exclusivo, pois cada peixe é diferente um do outro”, ressalta ela, que tem curtume e ateliê.

O estande da Colombia está fazendo a alegria de quem aprecia chapéus redondos, elegantes, feitos de palhas naturais, com aquele apuro artesanal. As peças estão em várias cores, o que chama ainda mais a atenção dos visitantes. O cliente também pode escolher a cor da fita do chapéu. Além dos chapeus também há sandálias artesanais e coloridas, em vários materiais.

Uma novidade da Fiart 2019 é  um salão onde estão expostas as obras de vários mestres, como as pirogravuras de Igo Azevedo, esculturas de Guga Stark, Ojuara, a rendeira em argila de Edvaldo Santiago, o quadro vazado de Mundoca, oratórios, entre outras. O visitante   votará ao longo do evento e escolherá a obra que mais gostou. Perto do salão, o escultor Rhasec trabalha ao vivo em suas obras, tendo sido o pioneiro em pedra sabão no estado, há 30 anos. Ele ressalta agora o concreto expansivo, bastante usado na construção civil atual. Na Fiart, o povo vai aonde o artista está.

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